Este é um momento marcante para a cidade: o Rio guina... para o futuro!
Nenhum carioca ficará incólume, nenhum carioca pode ficar indiferente.
Esta é também uma das minhas formas de participar: sugerir caminhos para o Rio.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O que precisa passar pelo Mergulhão da Praça XV é o Metrô!

O prefeito Eduardo Paes anunciou, para antes de 2016, a derrubada do elevado da Praça XV, o mesmo destino (desnecessário) do outro elevado, o da Praça Mauá à Rodoviária, e a sua substituição por um túnel.
E disse mais: o túnel previsto para contornar o morro de São Bento (que, por si só é um desperdício) será “emendado” ao atual “mergulhão” da Praça XV.
Além da implícita decisão de esconder os carros, talvez com vergonha dos seus excessos, esta aparentemente benéfica “reciclagem” das vias encobre outros grandes problemas, e maiores que um viaduto!...
Surgiu até a notícia de altos interesses na construção de uma marina entre a Praça XV e o aeroporto Santos Dumont (o que seria isto, um estacionamento de barcos mais perto do trabalho?!...).Para quem não ancora seu barco na jogada desta maré, o negócio é ficar atento: esta ânsia arrasadora parece meio desgovernada...
Afinal, esta nova "gambiarra" seria uma “via expressa”, à disposição dos muitos carros e seus poucos usuários, para que eles, sem maiores empecilhos, atravessem ou cheguem ao Centro.

Sim, mas... não teremos, a esta altura, um “Porto Maravilha” 
com dezenas de prédios “de até 50 andares”
e além deles os atuais (e futuros) arranha-céus do Centro?...
Ainda que a via expressa seja útil,
como é que tal massa de gente,
que trabalhará (e viverá) neste Centro ampliado, vai circular?

Certamente os VLTs locais (uma espécie de “bondinhos de Santa Teresa” supostamente mais seguros...) não darão conta do recado, darão voltas sobre si mesmos...
Ônibus talvez trafeguem por esta “via expressa entubada”, mas há que se questionar a qualidade do transporte: onde ficarão os pontos finais?... Até o BRT Transbrasil [realmente, falta um nome para este sistema, e não me venham com “Ligeirão”!...], que virá em pista exclusiva pela Av. Brasil, não atravessará a cidade (ao contrário das pistas para carros!): parece que fará a volta por trás da Candelária...
Um dos problemas é que o Metrô não “pertence” ao prefeito... O negócio dele é automotivo, carros e ônibus, e esta divisão de tarefas (ou de mercados) não ajuda...

Em suma, é este o ponto:  
o que tem que passar pelo Mergulhão da Praça XV 
é o Metrô!

O que tem que ser construído é uma linha de Metrô (a verdadeira Linha 4) que virá da Barra, através da Gávea, Humaitá e... tcham, tcham, tcham... Glória!...
Na Glória!... Sim, na Glória esta nova linha cruzará a Linha 1.
[Olha a rede de linhas aí, gente!]
Depois, passando pelo aeroporto Santos Dumont, contornará o Centro, para, aproveitando justamente o Mergulhão da Praça XV, chegar à Praça Mauá, atravessar todo o “Porto Maravilha” (salvando assim, pela facilidade de acesso, a praticidade do projeto!) e alcançar a Rodoviária. Daí, seguirá para o aeroporto do Galeão e fará uma conexão com a Linha 2 em Triagem, ufa!
Mais rápido, mais útil e para muito mais gente do que estas envergonhadas pistas para carros e ônibus!

Mais detalhes (e mapas) na página L4 - trecho Humaitá-Glória-Rodoviária.

8 comentários:

Leandro Pimentel disse...

Ou o VLT, o Tramway, que está programado para a região portuária. Era só dar continuidade fazendo a ligação com o metrô da Cinelândia ou da Glória. Acho ótimo derrubar aquele viaduto e acho que deveriam reconstruir o antigo mercado municipal. Você deve ter visto as fotos. O Albamar foi o que restou das quatro torres que ficavam em cada vértice do mercado feito de ferro fundido. No meio tinha um coreto enorme. Por causa do viaduto eles demoliram e os comerciantes compraram o terreno onde é hoje a Cadeg. Acho que eles deveriam a partir das fotos refazer pelo menos uma parte da construção, mesmo que fosse para fazer uma marina ao lado.
grande abraço
Leandro (por e-mail)

Guina Ramos disse...

Leandro, faço 3 "contracomentários":
1) O VLT serve para acessos locais, atende pouca demanda... E se o cara terá que trocar de meio de transporte para chegar à área do Porto, vai ficar parecido com o que temos agora, ou seja, uma grande dificuldade, por exemplo, de ir a um evento naquela área. Só mesmo uma linha do metrô que passe pela região resolverá as necessidades de transportes de milhares de pessoas que vão ocupar o "Porto Maravilha";
2) A ideia de recuperar o antigo Mercado da Pça. XV não deixa de ser bonita, até romântica. Mas, acho que seria inviável organizar toda uma frota de caminhões, que teriam que circular ali. Talvez reconstruir ao estilo e transformar em mercado ou centro cultural, que não implique em muita movimentação de carga. Neste contexto, a tal marina podia até fazer sentido;
3) Tudo bem quanto a demolir o elevado... Mas, não para priorizar o transporte individual, milhares de carros passando com poucos passageiros... De alguma maneira, o Metrô deveria passar por aquela orla, na rota que sugiro no blog, atendendo vários destinos diferentes (aeroporto, barcas, porto, rodoviária), todos com movimento intenso de passageiros.

Romildo Guerrante disse...

Guina, o quee estão projetando para o Rio não é um sistema de transportes coordenado, mas atendimento de segmentos de interesses diferentes, nada vai se articular com nada. O Porto terá tram porque assim quer a Odebrecht; a Avenida Brasil terá BRT porque assim quer a empresa do Jaime Lerner; o viaduto vai ser derrubado não para melhorar o aspecto da cidade, recuperando áreas tradicionais (como está sendo vendido), mas para atender a interesses empresariais de exploração da Praça 15(a marina inclusive). Lembro que a Veplan, de comum acordo com o então prefeito Marcos Tamoio, começou a fazer uma marina em Camboinhas para articular-se com a Marina da Glória. Quem comprasse terreno na marina em Camboinhas poderia usar a marina da Glória, vindo de barco de Niterói. A Veplan faliu, a marina de lá deu pra trás e a daqui virou moradia, transformando as lojas de manutenção em lofts (que já estão indo para o segundo andar e terão, logo atrás, um prédio de garagem de quatro andares, que não será visto por ninguém na paisagem) dizem os construtores, porque será coberto de grama...
Me engana que eu gosto.

Guina Ramos disse...

O que vc foi diz sobre o "fatiamento" da cidade faz todo sentido, basta observar... E é um acréscimo muito útil, porque não é fácil acessar estes dados. Fora das questões de grana, por falta de vocação, tento justamente imaginar algo que vá contra este "atendimento de segmentos de interesses diferentes". Concordo plenamente que. do jeito que vai, como vc bem define, "nada vai se articular com nada"!

Carlos Alberto Finfa disse...

Guina, ainda 2 dias atrás um catamarã com 800 'pax on board', ao que parece, tentou atracar na Av.Rio Branco.
Esperamos de tudo, em se tratando de transporte público no Rio.
Prá descontrair.

Abçs Carlos Finfa.

Buriti Sebo Literário disse...

de preferência de superfície, que é 10 X mais barato e a obra é rápida e pode ser neste século ainda...

Leandro Pimentel disse...

Achei a tua idéia muito boa. Só pensei em uma outra oção mais barata e rápida mas concordo que o metrô fazendo esse trajeto que você sugeriu sera o melhor. Com certeza não daria para continuar como mercado. Imaginei algo como um local para música e bares.

Mauricio Martins disse...

Guina, parabéns pelo seu trabalho! Suas propostas são excelentes e fiquei muito feliz em conhecê-las. Me parece que a prefeitura não contempla o projeto de revitalização da zona portuária com a chegada do metrô à região. Aquela região precisa e muito desta ligação, assim como os dois aeroportos e a rodoviária, portas de entrada desta cidade cada vez mais internacional. Lamento que ainda não consigamos colocar em práticas soluções tão boas e eficientes para a cidade. Meu sonho é não precisar mais do automóvel para circular por TODA a cidade. E provar que juntos podemos der mais fortes e construir uma cidade melhor independentemente dos interesses excusos que existem por trás dos projetos de intervenção urbana. Um grande abraço.